Olá amigos, sejam bem vindos!
Bem, para quem ainda não me conhece, meu nome é Rhafael Peixoto, sou nascido e criado em Brasília, mas com um pé e parte da perna no Goiás. Como você pode perceber, assim como tantas pessoas, sou apaixonado por carros, principalmente por carros antigos. O que causa perplexidade nas pessoas que não compartilham do mesmo gosto, principalmente quando falo que sou fissurado em Fuscas, com tantos carros que existem por aí, como uma pessoa do meu porte pode gostar de Fuscas?! (tenho 1,84 metro e 106 kg) Isso é uma coisa que nem Freud explica...
No ano 2000 completei os tão sonhados 18 anos, e como todo adolescente nessa idade, claro que eu fiquei ansioso pra comprar meu primeiro carro. Como já era apaixonado por Fuscas, adivinhem qual foi o carro que comecei a procurar para comprar... Claro, o Fusca! Mas sabe como é né?! 18 anos, muita vitalidade, vários sonhos, mas grana que é bom, nada.
Na época criávamos um cachorro maravilhoso, o Beethoven, um Mastim Napolitano que veio de Roma, valia uma nota, meu irmão ganhou de um amigo que o importou da Itália ainda filhote e o criava em casa, mas como ele estava divorciando da esposa e não teria onde criá-lo, o deu para o meu irmão, pois além do fato de serem vizinhos, sabia que ele adorava cachorros! Tanto é que hoje ele cria mais de 20, mas isso não é assunto para agora.
Bem, como eu ajudava a criar o Beethoven, eu tinha participação nele, e como minha mãe quem bancava os gastos, ela também tinha a sua parte. Logo, cada um tinha 1/3 de participação no dog da família. Tá, mas o que isso tem a ver com carros, Fuscas, etc.?! Espera que já estou chegando lá e você vai entender.
Eu sou o irmão caçula entre os quatro filhos do meu pai (pelo menos registrados... rs), sendo duas filhas do primeiro casamento, e meu irmão e eu do segundo casamento. Daí já viu, é duro ser caçula né?! Sempre ficamos com as sobras dos mais velhos. Nossos pais falam "vamos ao shopping comprar roupas", pensamos logo: "Oba!", mas quando menos imaginamos, vem o complemento da frase, "seu irmão tá precisando disso e daquilo, e você fica com o dele que não cabe mais"... Excelente!
Por incrível que pareça, até mesmo no nosso primeiro carro foi assim, para aprendermos a saber e dar o valor das coisas, quando meu pai foi comprar o primeiro carro para a minha irmã mais velha, comprou uma Brasília, linda, mostarda, praticamente zero km, mas como na época ela era meio fresquinha, não quis, pois queria um Escort... Como consequência disso, ficou andando de ônibus. Minha outra irmã ganhou um Gol BX, daqueles com motor de fusca, verdinho, com película, todo invocado, mas coitado, foi usado até pedir arrego. Já meu irmão, ganhou um Santana Quantum, meio dourado, com a frente meio torta, mas tinha um motorzão 1.8 e um senhor conforto. Quando chegou a vez do besta aqui, meu pai tinha pedido demissão do emprego, e todo o dinheiro que ele tinha estava investido, seja em imóveis, seja no Banco, então como ele não tinha mais emprego, a renda iria depender dos investimentos, e dar carro para um adolescente de 18 anos recém completados não é nenhum investimento muito lucrativo, não é mesmo?! Mas e agora, será que vou ser o único que não vai ter carro. É aí que entra o Beethoven. Um criador de uma fêmea de Mastim Napolitano nos procurou, pois sua cadela estava no cio e ele queria colocá-la para cruzar com o Beethoven, e como ele tinha um pedigree muito bom, combinamos que a cria seria dividida meio a meio. Beleza, cada filhote na época era vendido a uma média de R$ 2000,00 a R$ 2500,00, e cada ninhada dava uma média de 6 a 8 filhotes, logo pensei, pelo menos uns R$ 2000,00 eu ganho nessa.
Antes dos cachorros nascerem, meu irmão estava querendo trocar de carro, como ele estava ganhando um dinheirinho legal, queria comprar um carro zero, então ele iria vender a Quantum e dar de entrada num Celta 2001. Foi quando meus pais tiveram a idéia genial de eu ficar com a Quantum dele, minha mãe pagaria os R$ 3500,00 que ele estava pedindo e quando o cachorro nascesse ela ficaria com a minha parte, e o restante a gente veria como faríamos (claro que eu não iria pagar né?! E tenho certeza que ela sabia disso... rs).
Acordo feito, chave pra cá, dinheiro pra lá, quando ele me entregou o carro, parecia que o ele tinha passado uma temporada no SAARA, pelo tanto de areia, terra, barro e afins que tinha por todos os lados, pra se ter idéia, a porta traseira do lado direito não abria por causa de tanta sujeira que emperrou a fechadura. Meu primeiro pensamento foi (com o perdão da palavra) "que merda, onde fui amarrar meu jegue". Mas tudo bem, com um bom banho, ou melhor, com pelo menos três bons banhos, aos poucos eu iria ajeitando tudo. Um WD40 aqui, umas lâmpadas novas ali, uns parafusos pra substituir uns arames acolá, até que com o tempo a banheira foi ficando mais apresentável.
Nessa época eu namorava há quase quatro anos uma garota muito gente boa, que hoje ainda continua sendo uma ótima amiga, mas resolvemos romper o namoro, afinal, 19 anos, com carro, e toda uma vida pela frente, quem quer pensar em namoro sério?! Agora que estava solteiro, passei a dedicar ainda mais meu tempo e minhas finanças para o carro, coloquei um toca-fitas Aiwa, um par de TS-A6980, quatro rodas de liga leve aro 13" com seus respectivos pneus da Pirelli P6000 novinhos, tudo isso parcelados em 6x no cartão. A essa altura, estava me achando o rei da cocada preta, então combinei de sair com dois vizinhos que eram meus amigos de infância, iríamos ao Marujos, um barzinho bacana na Asa Sul, quem sabe lá não nos daríamos bem. Passei o dia dando aquele trato no possante, pra noite fazer bonito. Depois de banho tomado e pronto pro crime, mais ou menos no horário combinado, eu estava na porta de casa esperando os dois enrolados, quando eles saíram, falaram que as duas vizinhas novas, que eles estavam de paquera também queriam ir, então pensei, "porra, tô vendo que vou pra segurar vela hoje", mas fazer o que né?! Eu não iria falar que eles não poderiam levá-las, afinal de contas, pensando pelo lado positivo, são dois concorrentes a menos.
Nós três do lado de fora, esperando as moças acabarem de se aprontar, quando uma delas sai para dar a notícia de que a mãe delas iria sair com uma amiga, e por isso, a filha da amiga da mãe delas estava lá também, elas queriam saber se poderiam chamá-la. Beleza, a essa altura, todos acompanhados, qualquer coisa tenho um estepe (tá bom, sei que se alguma mulher ler isso, vai xingar até a minha 20ª geração, mas vocês esperariam o que de um moleque de 19 anos, que passou quase 4 "preso"). Quando eis que surge pela porta, aquela criatura, digamos assim, peculiar, eu não sabia se ria ou se chorava, mas a vontade de esganar meus mui amigos era grande! Mas tudo bem, o que tá feito tá feito, vamos embora. Chegando ao Marujos, estava lotado, aquela fila de gente esperando desocupar uma mesa pra conseguir sentar, então decidimos ir para outro barzinho, o Simpsons, outro barzinho próximo de onde estávamos. Chegando lá, estacionei o carro numa vaga perto de um beco, cheio de carrões por perto, quando estávamos saindo meu amigo perguntou se eu não iria passar a trava no volante, então falei, "pô, com esse tanto de carrões aqui, vão roubar logo o meu?!"
Chegando ao Simpsons, ambiente tranquilo, cheio de casais nas mesas (tudo que eu não estava procurando para aquela noite). Pelo visto ou eu passaria a noite segurando vela, ou segurando uma bomba. Logo começaram aquelas gracinhas de ficar me empurrando pra garota, eu olhava pro lado pra ver se criava coragem de arriscar, mas como ainda não era tão tarde e a esperança é a última que morre, vai que chega alguém para me salvar, resisti enquanto pude, mas depois de certo tempo, todo mundo indo embora, os garçons recolhendo as mesas, chega uma hora que a gente pensa, "quem está na chuva é pra se molhar", então saí do 0x0. Mas confesso que quando comecei a beijá-la, bateu um arrependimento, pois ela tinha o bigode mais grosso do que o meu. Mas guerreiro não poderia refugar né?! Ainda mais porque apesar de a noite ter começado há pouco tempo, não iríamos estendê-la por muito tempo (pelo menos não pela minha vontade).
Passado um tempo, sobramos praticamente nós no barzinho, então resolvemos pedir a conta e ir embora, quando estávamos caminhando para o carro, percebi que tinha alguma coisa errada, pois do lado do meu carro, estava um Fusca, e como já tinha falado, meu carro era uma Quantum. Eu olhava na frente e não via carro sobrando, olhava atrás e também não tinha carro sobrando, como pode uma banheira daquelas estar escondida atrás de um Fusca?! Chegando perto, minha suspeita virou certeza, roubaram meu carro!
Na esquina da quadra em que estávamos tem um posto policial, fomos lá denunciar. Mas o PM falou que eu deveria ir à delegacia fazer um BO, que ele só poderia passar um rádio para a central. Então liguei para o meu pai para dizer que tinham roubado o meu carro e pedir para que ele viesse nos buscar para irmos para a delegacia, mas como ele tinha chegado de uma festa há pouco, e tinha tomado umas e outras, a resposta que eu tive foi nada mais e nada menos do que um "e eu com isso", assim mesmo, seco e direto. Puto da vida, logo veio a minha cabeça um pensamento inevitável, "isso tudo é praga da minha ex", pois era a primeira vez que eu estava saindo depois do fim do namoro.
Eu estava ligando pra pedir um táxi quando um dos meus amigos disse que ligaria para o pai dele vir nos buscar. Pouco tempo depois o pai dele chegou, nós fomos para a delegacia, fizemos o BO e fomos para casa. Na terça feira a noite, eu tinha acabado de chegar da faculdade, estava no banho quando o telefone de casa tocou, por volta de 23:30h, dá até um susto né?! Telefone tocando essa hora, a gente pensa logo besteira. Minha mãe atendeu, era um policial informando que tinham achado o meu carro, estava no Setor O (Ceilândia), e eu poderia ir buscá-lo, mais do que de pressa acabei o banho, vesti qualquer roupa para ir logo buscar o carro, chegando lá minha alegria levou um balde de água fria, o carro estava ainda mais torto, o som, as rodas e os pneus que eu não tinha pago nem a primeira prestação ainda tinham sido levados, no lugar colocaram umas rodas velhas com os pneus mais lisos que bunda de neném, peguei o carro e fui embora puto de raiva, com a sensação de que não tinham sido os bandidos que levaram minhas rodas e meus pneus, pois desde quando bandido se dá ao trabalho de colocar outras no lugar?! Mas tudo bem, pelo menos o carro eu recuperei, agora a primeira providencia era vendê-lo e comprar outro o mais rápido possível. E foi exatamente o que eu fiz. Consegui vendê-lo por R$ 3000,00.
Com o dinheiro na mão, decidi não dar ouvidos a ninguém, queria comprar um Fusca e ponto final. Um colega de trabalho tinha um Fusca 1300, ano 1980, verde pampa (pelo menos na teoria, pois estava com a pintura toda queimada), que muito carinhosamente chamávamos de Loro José. Depois de 10 minutos de conversa, fechamos negócio e comprei o Loro José por R$ 1900,00, ainda sobraria uma grana para dar uns retoques. Como a pintura estava muito ruim, foi a primeira coisa que resolvi mexer, nisso o besourinho foi todo desmontado e ganhou vários presentes, como os 4 paralamas, 2 parachoques, capô, tampa traseira, todas as borrachas, faróis e lanternas, e por aí vai. Mas o olho gordo humano é uma merda. Uma semana depois que tinha pego o Fusca na lanternagem, estava levando o carro pra colocar o interior quando um infeliz parou numa faixa de pedestre sem uma viva alma atravessando, com o asfalto molhado, já viu o resultado, senti ainda mais raiva de não ter aquele jogo de pneus que preste no Fusca, lá vou eu ter que refazer a pintura do capô e do parachoque. Essa foi apenas a primeira situação dentre outras tantas, que me levaram a vender o Loro José, mas prometi para mim mesmo que assim que tivesse condições de ter um outro carro e um fusca eu iria comprar outro besourinho.
Bem, já me estendi demais, mas se você chegou até aqui e sem dormir no meio do caminho, volte sempre que quiser, mas se você chegou até aqui dando um "end" pra chegar logo no final da página, fique a vontade para voltar outras vezes também, prometo não me estender tanto.
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