quinta-feira, 14 de junho de 2012

MERCEDES TUPINIQUIM

Vende-se sedã de luxo usado. Preço baixo, bem equipado, motor potente. Pode vir com câmbio automático. A partir de 11800 reais." Se esse anúncio fez sua cabeça, é porque você está preparado para ser dono de um Omega nacional. Feito no Brasil entre 1992 e 1998, era considerado o Mercedes tupiniquim. Mesmo fora de linha, ainda conquista adeptos fiéis e tem boa procura no mercado, especialmente como segundo carro para famílias de classe média.


É a união entre luxo, conforto e desempenho, por um preço baixo e sem despertar a cobiça de assaltantes, mais comum em importados de luxo. E não faz feio numa porta de restaurante. Claro, não é como um BMW, Passat ou Audi, porém impõe mais respeito que um Gol CL 1.6 1998, que é o que se compra com os 11800 reais de um Omega CD 1992. Afinal que outro sedã com 165 cavalos -caso do 3.0; o 4.1 tem 168 - oferece tanto espaço, ar-condicionado, alarme, freios ABS, rodas de liga leve, computador de bordo (itens de série na versão CD) e mais câmbio automático por 13200 reais?

Outra comparação: um Omega 4.1 CD 1998 automático custa 22000 reais. O principal concorrente, o VW Passat 1.8 de mesmo ano e com o mesmo câmbio, fica em 28000 reais.




Mas é claro que nem tudo são flores, e entre os defeitos está o consumo, principalmente o do 4.1. Vale lembrar que um carro desse porte nunca é escolhido pelo baixo apetite. E há solução: pôr um kit de gás natural (em torno de 2000 reais), prática facilitada pelo generoso porta-malas de 452 litros. Outra reclamação é o seguro, em média 3000 reais - ainda assim mais baixo que o dos similares importados.
Já a manutenção está na média dos concorrentes, com a vantagem da reconhecida robustez. Há muito taxista que diz ter visto Omega chegar aos 100.000 quilômetros sem trocar nada além do exigido nas revisões periódicas. A dica para não se preocupar com a mecânica é procurar veículos de único dono - o que não é difícil de achar.




Descarte de cara os GL e GLS com motor 2.0 ou 2.2. Pouco potentes e mal equipados - o GL vem sem ar-condicionado - ainda são um fardo para revender. A escolha fica, então, entre o motor alemão 3.0 e o 4.1, em essência o mesmo do Opala, mas com aperfeiçoamentos tecnológicos que o aumentaram o seu rendimento, com maior suavidade e menor consumo, em comparação ao motor que equipou o Diplomata SE 4.1.
Compare: na QUATRO RODAS de agosto de 1992, o 3.0 acelerou de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos, contra 11,1 do 4.1, testado em janeiro de 1995. Na retomada de 40 a 100 km em quinta, o alemão perdeu: 23,4 contra 22,7 segundos. No consumo, a briga é mais apertada: o 4.1 marcou 6,0 e 9,7 km/l na cidade e estrada, respectivamente. O 3.0 ficou em 6,8 e 10,5 km/l.
Se a escolha for um automático, pense num 4.1, com mais torque em baixa rotação, ideal para a cidade. Pensando com o bolso, o 4.1 também leva vantagem: maior procura e preço mais alto na hora da revenda.
Um fato vale para ambas as versões: seus donos costumam ser cuidadosos. Daí a oscilação de preço. Um CD 1998 completo pode custar 26500 reais em uma loja e 22000 reais em outra. A explicação? Ciente de que tem um modelo bem conservado, a maioria deixa-o na loja em consignação - o carro não é comprado pela loja, que só ajuda a vendê-lo e fica com uma parte do preço final.
Os automáticos são mosca-branca e valem cerca de 10% a mais que os manuais, mas é preciso cuidado na escolha. Avaliadores e mecânicos ensinam um truque. Coloque a alavanca em Drive, pise no freio com o pé esquerdo e acelere lenta e progressivamente. Não saiu da faixa de 2000 rpm a 3000 rpm? Pode comprar. Se passar disso, há problemas com o conversor de torque. Portanto o câmbio está, como se diz popularmente, patinando. O conserto fica em no mínimo 5000 reais. Descarte.

HISTÓRIA DO OMEGA

Em 1992, o carro grande da General Motors do Brasil era o veterano Chevrolet Opala. Fabricado no país desde 1968, com base no Opel Rekord C alemão e na mecânica do Chevrolet Nova norte-americano.


O desenvolvimento de um sucessor do Opel Rekord e Senator na Alemanha começou no Outono de 1981. Ao custo de 2,5 milhões de marcos alemães, o maior valor já investido pela Opel até aquele momento, o Omega foi apresentado como o Carro V, um veículo inteiramente novo, com uma plataforma nova, espaço para cinco ocupantes e com motor longitudinal e tração traseira.
A criação do seu desenho levou mais de 1400 horas de estudos em túneis de vento com maquetes em escala e modelos em tamanho real nos estúdios da Opel Design Center, Universidade Técnica de Stuttgart e Pininfarina, na Itália.


O Opel Omega A veio a ser apresentado ao mercado europeu em 1984, onde manteve-se em produção até 1994, ao ser substituído pelo Omega B.
No Brasil, em 1992, Diante da concorrência de outros automóveis de luxo como o Toyota Camry ou Honda Accord, A GM apresentou o Omega. Com projeto identificado como 1700, baseado na Plataforma V já utilizada pela Opel na Alemanha. O novo modelo da marca chegava às ruas 25 meses depois da decisão de sua fabricação.
O Chevrolet Omega foi lançado no Brasil em Agosto de 1992, já como modelo 1993, nas versões sedã, a versão station wagon do Omega, batizada de Suprema, viria a ser lançada em abril de 1993.


Podia levar 540 litros de bagagem. A tração também era traseira e a suspensão contava com um sistema de nivelamento pneumático constante que deixava a traseira da perua sempre na altura correta, independente da quantidade de carga no seu porta-malas.






Com 4,74 m de comprimento e 2,73 m entre os eixos, o veículo chegou ao mercado com duas opções de motorização e de acabamento: GLS (Gran Luxo Super) com motor 2.0 litros e a CD (Comfort Diamond), com o motor 3.0 litros de seis cilindros em linha, importado da Alemanha feito pela OPEL. Ambos os modelos com motores montados em posição longitudinal e tração traseira.
O motor 2.0 de quatro cilindros do GLS era o mesmo motor "Família 2" utilizado no Chevrolet Monza, entretanto, vinha equipado com injeção eletrônica multiponto Bosch Motronic, de processamento digital e sensor de detonação (na versão a álcool), e sensor de oxigênio no escapamento. Rendendo 116 cv de potência , permitindo alcançar 190 km/h de velocidade máxima e gastava 12,65 segundos para atingir 100 km/h na versão a gasolina partindo da inércia.
Ainda em 1993 a GM apresentaria o Omega GLS 2.0 a álcool, proporcionando um aumento de potência e performance neste modelo. A nova potência divulgada era de 130 cv e, segundo testes da imprensa, o veículo era capaz de acelerar de 0 ao 100 km/h em 11,11s e atingir 199 km/h de velocidade final.
O 3.0 litros de seis cilindros possuía comando de válvulas no cabeçote, fluxo de admissão e escape do tipo reverso, e tanto o bloco como o cabeçote são compostos de ferro fundido. Desenvolvia 165 cv de potência e levava o modelo de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos. Além disso, o carro alcançava 212 km/h em testes da imprensa na época. Um dos poucos carros que quebravam a barreira dos 200 km/h.
O conforto era palavra de honra dentro do Omega. Os cinco ocupantes podiam ser bem acomodados nos bancos, com revestimento de couro (disponível opcionalmente a partir de 1995), o porta-malas possuía tamanho suficiente, havia o conforto do ar-condicionado e teto-solar elétrico e detalhes como o computador de bordo, painel de instrumentos digital de cristal líquido, freios ABS, Câmbio manual de cinco marchas e ré sincronizada, ou opcionalmente, o câmbio automático de quatro marchas e com três programas de funcionamento: normal, esporte ou antipatinação e controle automático de velocidade. Vidros elétricos com função um-toque integral, Retrovisores elétricos com desembaçador e retrovisor interno fotocrômico. O Omega também oferecia um sistema de áudio jamais visto em outros modelos, onde haviam dois aparelhos separados, um toca-CD e um toca-fitas Cassete, devidamente dotados de amplificador de potência.





A preocupação com a aerodinâmica e o design está presente em todos os detalhes. Frente em cunha e sem anexos, palhetas do limpador dos vidros escondidas sob o capô, janelas laterais rentes à carroceria e que correm pelo lado de fora, em uma espécie de trilho, maçanetas totalmente embutidas e caimento suave da traseira. Tudo isso fez o carro ter um coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,30 (0,28 na Europa).
Uma nova suspensão independente de braços semi-arrastados foi desenvolvida para a plataforma do Omega, ao contrário das suspensões de eixo rígido comuns à maioria dos modelos dessa configuração, inclusive do Opala. Na frente o tradicional conceito de suspensão McPherson, com amortecedores à gás nas versões de seis cilindros. E as rodas da frente ficavam livres para ir de batente a batente com muita desenvoltura.


Em 1994, foi lançada uma série limitada do Omega batizada de Diamond, tinha acabamento GLS, equipada com o motor 3.0 L. Surgiu também a versão GL, uma versão mais despojada, que trazia um acabamento mais simples, normalmente dotado de motor a álcool, dedicada aos frotistas e taxistas. Neste mesmo ano o Omega sofria uma reestilização completa na Europa.



A partir de 1995, a linha recebeu novos motores 2.2 L de quatro cilindros e 4.1 L de seis cilindros em linha, em substituição aos motores 2.0 L e 3.0 L, respectivamente.
O motor 4.1 em sua essência é o mesmo do Opala, mas com aperfeiçoamentos tecnológicos que o aumentaram o seu rendimento, com maior suavidade e menor consumo, em comparação ao motor que equipou o Diplomata SE 4.1. Projetado pelos engenheiros da Lotus, as peças tiveram o peso reduzido, o cabeçote recebeu dutos de admissão e escape individuais e a injeção eletrônica entrou em cena. Com isso o novo propulsor passou a desenvolver 168 cv de potência, e o torque ficou em 29,1 kgfm a 3.500 rpm. Seria utilizado na versão de topo CD, mas os modelos com o acabamento GLS também receberam esse propulsor.
A substituição do motor de 4 cilindros foi motivada pela falta de força em baixas rotações do motor 2.0 diante dos seus 1.350 kg, relatada pelos clientes. Agora a cilindrada subia para 2,2 litros com o aumento do curso dos pistões. O torque, que era de 17,3 kgfm subiu para 20,1 kgfm a 2.800 RPM. A potência continuava inalterada.
Já o motor 4.1 L foi mantido em produção devido ao encerramento da produção do motor 3.0, pela Opel, na Alemanha. Por lá, a nova geração, Omega B passava a utilizar um moderno motor batizado ECOTEC MV6, um 3.0 com 24 válvulas de 210 cv e 27,4 kgfm de torque.


Também para o ano de 1995, o acabamento na versão CD também foi melhorado em alguns detalhes: Apliques que imitam a madeira nas portas e no console do câmbio, bancos de couro, novas rodas com design mais charmoso (popularmente conhecidas como Powertech), lanternas traseiras fumê, e um discreto aerofólio na tampa do porta-malas.





O ano de 1996 foi o último em que a Suprema foi fabricada. Para o ano de 1998, último ano de fabricação do Omega no Brasil, a Chevrolet preparou o que pode ser considerada uma série especial de despedida, com alguns itens exclusivos: Rodas com desenho esportivo, Novos Logotipos e Emblemas, Painel com tipografia diferenciada e iluminação em tom verde, Tecla para travamento central das portas, Sistema de proteção de sobrecarga elétrica, e alguns pequenos ajustes no motor para reduzir o consumo.
A última unidade do Omega fabricada no Brasil, foi cedida pela General Motors para exposição no Museu da Tecnologia da ULBRA, em Canoas, Rio Grande do Sul.

terça-feira, 12 de junho de 2012

12 DE JUNHO, DIA DOS NAMORADOS


Hoje é uma data muito especial, 12 de junho, dia dos namorados. Lindo isso, o comércio, os restaurantes, os motéis, todos eles agradecem por essas datas comemorativas, pois as pessoas saem para comprar presentes para seus amores, levam sua cara metade para um belo jantar, depois a noite se estende e daí pra frente é problema de cada um, não é mesmo?!


Mas tirando toda a parte comercial da data de hoje, a simbologia da data é muito válida, pois é um dia em que as pessoas ficam mais apaixonadas, ou pelo menos tem mais facilidade para expor seus sentimentos e declarar o amor à pessoa amada, mas como isso aqui não é espaço para falar sobre namoros, achei que seria válido falar sobre o affair com as máquinas que enchem os nossos olhos, que fazem nossos corações bater mais forte e nossas mãos suarem frias.


Eu por exemplo, sempre fui apaixonado por clássicos, minha primeira menina dos olhos foi o Opala, consequentemente, a Caravan, que por sinal, foi nela que aprendi a dirigir. Aos poucos fui me encantando com uma ninfetinha, pequena e cheia de curvas, com aquela traseira redondinha e inconfundível, que chamava atenção por onde passava, se quer era preciso avistá-la para perceber sua presença, apenas o som do bom e velho boxer que estava sob o capô já o entregava, claro que estou falando do Fusca, o carro mais vendido da história automobilística mundial.


Mas sabe aquela paixão arrebatadora que parece estar num pedestal, longe do alcance de tudo e de todos?! Eu tenho duas paixões que se encaixam muito bem a esses casos, a primeira é aquela que se compara a amiga gata da sua irmã mais velha, a gente vê, sente sua presença perto da gente, mas sabemos que é muita areia pro nosso caminhão. Já tem aquele caso em que idolatramos a artista da TV, recortamos todas as fotos, colamos na porta do guarda-roupas, simplesmente babamos por elas... Então, a amiga super gata da minha irmã mais velha é a F100, ano 1956, simplesmente perfeita! E a artista de TV que colo suas fotos na porta do meu guarda-roupas é nada mais e nada menos do que um 911 turbo, modesto né?!


Depois desses, muitos amores vieram e se foram, sabe como é a vida de um homem, somos muito promíscuos, basta algumas belas curvas novas para logo ficarmos ouriçados.


Atualmente estou em um novo relacionamento sério, porém, estou sofrendo do mal daquela piadinha que comparam as mulheres com tirar a sorte nas moedas, ou são caras ou são coroas... Meu mais novo affair é com meu Omega CD 4.1 ano 96/97, uma senhora máquina, mas como a própria descrição fala por si, uma senhora. Infelizmente não estou tendo condições de dar todo amor e atenção que ela merece, então depois de muitos momentos de amor e ódio, claro que muito mais amor do que ódio, nossa relação está meio desgastada, e estamos a ponto de nos separarmos, pois com muita dor no coração, estou colocando à venda.


Mas como citei anteriormente, homens são promíscuos, estou me saindo dessa relação, mas já de olho numa próxima, e olha que nem é para trocar uma coroa por uma novinha, muito pelo contrário, é para trocar por outra mais coroa, mas vai entender o coração, paixões antigas sempre mexem com a gente.

SEJAM BEM VINDOS!!!


Olá amigos, sejam bem vindos!




Bem, para quem ainda não me conhece, meu nome é Rhafael Peixoto, sou nascido e criado em Brasília, mas com um pé e parte da perna no Goiás. Como você pode perceber, assim como tantas pessoas, sou apaixonado por carros, principalmente por carros antigos. O que causa perplexidade nas pessoas que não compartilham do mesmo gosto, principalmente quando falo que sou fissurado em Fuscas, com tantos carros que existem por aí, como uma pessoa do meu porte pode gostar de Fuscas?! (tenho 1,84 metro e 106 kg) Isso é uma coisa que nem Freud explica...

No ano 2000 completei os tão sonhados 18 anos, e como todo adolescente nessa idade, claro que eu fiquei ansioso pra comprar meu primeiro carro. Como já era apaixonado por Fuscas, adivinhem qual foi o carro que comecei a procurar para comprar... Claro, o Fusca! Mas sabe como é né?! 18 anos, muita vitalidade, vários sonhos, mas grana que é bom, nada.

Na época criávamos um cachorro maravilhoso, o Beethoven, um Mastim Napolitano que veio de Roma, valia uma nota, meu irmão ganhou de um amigo que o importou da Itália ainda filhote e o criava em casa, mas como ele estava divorciando da esposa e não teria onde criá-lo, o deu para o meu irmão, pois além do fato de serem vizinhos, sabia que ele adorava cachorros! Tanto é que hoje ele cria mais de 20, mas isso não é assunto para agora.

Bem, como eu ajudava a criar o Beethoven, eu tinha participação nele, e como minha mãe quem bancava os gastos, ela também tinha a sua parte. Logo, cada um tinha 1/3 de participação no dog da família. Tá, mas o que isso tem a ver com carros, Fuscas, etc.?! Espera que já estou chegando lá e você vai entender.

Eu sou o irmão caçula entre os quatro filhos do meu pai (pelo menos registrados... rs), sendo duas filhas do primeiro casamento, e meu irmão e eu do segundo casamento. Daí já viu, é duro ser caçula né?! Sempre ficamos com as sobras dos mais velhos. Nossos pais falam "vamos ao shopping comprar roupas", pensamos logo: "Oba!", mas quando menos imaginamos, vem o complemento da frase, "seu irmão tá precisando disso e daquilo, e você fica com o dele que não cabe mais"... Excelente!

Por incrível que pareça, até mesmo no nosso primeiro carro foi assim, para aprendermos a saber e dar o valor das coisas, quando meu pai foi comprar o primeiro carro para a minha irmã mais velha, comprou uma Brasília, linda, mostarda, praticamente zero km, mas como na época ela era meio fresquinha, não quis, pois queria um Escort... Como consequência disso, ficou andando de ônibus. Minha outra irmã ganhou um Gol BX, daqueles com motor de fusca, verdinho, com película, todo invocado, mas coitado, foi usado até pedir arrego. Já meu irmão, ganhou um Santana Quantum, meio dourado, com a frente meio torta, mas tinha um motorzão 1.8 e um senhor conforto. Quando chegou a vez do besta aqui, meu pai tinha pedido demissão do emprego, e todo o dinheiro que ele tinha estava investido, seja em imóveis, seja no Banco, então como ele não tinha mais emprego, a renda iria depender dos investimentos, e dar carro para um adolescente de 18 anos recém completados não é nenhum investimento muito lucrativo, não é mesmo?! Mas e agora, será que vou ser o único que não vai ter carro. É aí que entra o Beethoven. Um criador de uma fêmea de Mastim Napolitano nos procurou, pois sua cadela estava no cio e ele queria colocá-la para cruzar com o Beethoven, e como ele tinha um pedigree muito bom, combinamos que a cria seria dividida meio a meio. Beleza, cada filhote na época era vendido a uma média de R$ 2000,00 a R$ 2500,00, e cada ninhada dava uma média de 6 a 8 filhotes, logo pensei, pelo menos uns R$ 2000,00 eu ganho nessa.

Antes dos cachorros nascerem, meu irmão estava querendo trocar de carro, como ele estava ganhando um dinheirinho legal, queria comprar um carro zero, então ele iria vender a Quantum e dar de entrada num Celta 2001. Foi quando meus pais tiveram a idéia genial de eu ficar com a Quantum dele, minha mãe pagaria os R$ 3500,00 que ele estava pedindo e quando o cachorro nascesse ela ficaria com a minha parte, e o restante a gente veria como faríamos (claro que eu não iria pagar né?! E tenho certeza que ela sabia disso... rs).

Acordo feito, chave pra cá, dinheiro pra lá, quando ele me entregou o carro, parecia que o ele tinha passado uma temporada no SAARA, pelo tanto de areia, terra, barro e afins que tinha por todos os lados, pra se ter idéia, a porta traseira do lado direito não abria por causa de tanta sujeira que emperrou a fechadura. Meu primeiro pensamento foi (com o perdão da palavra) "que merda, onde fui amarrar meu jegue". Mas tudo bem, com um bom banho, ou melhor, com pelo menos três bons banhos, aos poucos eu iria ajeitando tudo. Um WD40 aqui, umas lâmpadas novas ali, uns parafusos pra substituir uns arames acolá, até que com o tempo a banheira foi ficando mais apresentável.

Nessa época eu namorava há quase quatro anos uma garota muito gente boa, que hoje ainda continua sendo uma ótima amiga, mas resolvemos romper o namoro, afinal, 19 anos, com carro, e toda uma vida pela frente, quem quer pensar em namoro sério?! Agora que estava solteiro, passei a dedicar ainda mais meu tempo e minhas finanças para o carro, coloquei um toca-fitas Aiwa, um par de TS-A6980, quatro rodas de liga leve aro 13" com seus respectivos pneus da Pirelli P6000 novinhos, tudo isso parcelados em 6x no cartão. A essa altura, estava me achando o rei da cocada preta, então combinei de sair com dois vizinhos que eram meus amigos de infância, iríamos ao Marujos, um barzinho bacana na Asa Sul, quem sabe lá não nos daríamos bem. Passei o dia dando aquele trato no possante, pra noite fazer bonito. Depois de banho tomado e pronto pro crime, mais ou menos no horário combinado, eu estava na porta de casa esperando os dois enrolados, quando eles saíram, falaram que as duas vizinhas novas, que eles estavam de paquera também queriam ir, então pensei, "porra, tô vendo que vou pra segurar vela hoje", mas fazer o que né?! Eu não iria falar que eles não poderiam levá-las, afinal de contas, pensando pelo lado positivo, são dois concorrentes a menos.

Nós três do lado de fora, esperando as moças acabarem de se aprontar, quando uma delas sai para dar a notícia de que a mãe delas iria sair com uma amiga, e por isso, a filha da amiga da mãe delas estava lá também, elas queriam saber se poderiam chamá-la. Beleza, a essa altura, todos acompanhados, qualquer coisa tenho um estepe (tá bom, sei que se alguma mulher ler isso, vai xingar até a minha 20ª geração, mas vocês esperariam o que de um moleque de 19 anos, que passou quase 4 "preso"). Quando eis que surge pela porta, aquela criatura, digamos assim, peculiar, eu não sabia se ria ou se chorava, mas a vontade de esganar meus mui amigos era grande! Mas tudo bem, o que tá feito tá feito, vamos embora. Chegando ao Marujos, estava lotado, aquela fila de gente esperando desocupar uma mesa pra conseguir sentar, então decidimos ir para outro barzinho, o Simpsons, outro barzinho próximo de onde estávamos. Chegando lá, estacionei o carro numa vaga perto de um beco, cheio de carrões por perto, quando estávamos saindo meu amigo perguntou se eu não iria passar a trava no volante, então falei, "pô, com esse tanto de carrões aqui, vão roubar logo o meu?!"

Chegando ao Simpsons, ambiente tranquilo, cheio de casais nas mesas (tudo que eu não estava procurando para aquela noite). Pelo visto ou eu passaria a noite segurando vela, ou segurando uma bomba. Logo começaram aquelas gracinhas de ficar me empurrando pra garota, eu olhava pro lado pra ver se criava coragem de arriscar, mas como ainda não era tão tarde e a esperança é a última que morre, vai que chega alguém para me salvar, resisti enquanto pude, mas depois de certo tempo, todo mundo indo embora, os garçons recolhendo as mesas, chega uma hora que a gente pensa, "quem está na chuva é pra se molhar", então saí do 0x0. Mas confesso que quando comecei a beijá-la, bateu um arrependimento, pois ela tinha o bigode mais grosso do que o meu. Mas guerreiro não poderia refugar né?! Ainda mais porque apesar de a noite ter começado há pouco tempo, não iríamos estendê-la por muito tempo (pelo menos não pela minha vontade).

Passado um tempo, sobramos praticamente nós no barzinho, então resolvemos pedir a conta e ir embora, quando estávamos caminhando para o carro, percebi que tinha alguma coisa errada, pois do lado do meu carro, estava um Fusca, e como já tinha falado, meu carro era uma Quantum. Eu olhava na frente e não via carro sobrando, olhava atrás e também não tinha carro sobrando, como pode uma banheira daquelas estar escondida atrás de um Fusca?! Chegando perto, minha suspeita virou certeza, roubaram meu carro!

Na esquina da quadra em que estávamos tem um posto policial, fomos lá denunciar. Mas o PM falou que eu deveria ir à delegacia fazer um BO, que ele só poderia passar um rádio para a central. Então liguei para o meu pai para dizer que tinham roubado o meu carro e pedir para que ele viesse nos buscar para irmos para a delegacia, mas como ele tinha chegado de uma festa há pouco, e tinha tomado umas e outras, a resposta que eu tive foi nada mais e nada menos do que um "e eu com isso", assim mesmo, seco e direto. Puto da vida, logo veio a minha cabeça um pensamento inevitável, "isso tudo é praga da minha ex", pois era a primeira vez que eu estava saindo depois do fim do namoro.

Eu estava ligando pra pedir um táxi quando um dos meus amigos disse que ligaria para o pai dele vir nos buscar. Pouco tempo depois o pai dele chegou, nós fomos para a delegacia, fizemos o BO e fomos para casa. Na terça feira a noite, eu tinha acabado de chegar da faculdade, estava no banho quando o telefone de casa tocou, por volta de 23:30h, dá até um susto né?! Telefone tocando essa hora, a gente pensa logo besteira. Minha mãe atendeu, era um policial informando que tinham achado o meu carro, estava no Setor O (Ceilândia), e eu poderia ir buscá-lo, mais do que de pressa acabei o banho, vesti qualquer roupa para ir logo buscar o carro, chegando lá minha alegria levou um balde de água fria, o carro estava ainda mais torto, o som, as rodas e os pneus que eu não tinha pago nem a primeira prestação ainda tinham sido levados, no lugar colocaram umas rodas velhas com os pneus mais lisos que bunda de neném, peguei o carro e fui embora puto de raiva, com a sensação de que não tinham sido os bandidos que levaram minhas rodas e meus pneus, pois desde quando bandido se dá ao trabalho de colocar outras no lugar?! Mas tudo bem, pelo menos o carro eu recuperei, agora a primeira providencia era vendê-lo e comprar outro o mais rápido possível. E foi exatamente o que eu fiz. Consegui vendê-lo por R$ 3000,00.

Com o dinheiro na mão, decidi não dar ouvidos a ninguém, queria comprar um Fusca e ponto final. Um colega de trabalho tinha um Fusca 1300, ano 1980, verde pampa (pelo menos na teoria, pois estava com a pintura toda queimada), que muito carinhosamente chamávamos de Loro José. Depois de 10 minutos de conversa, fechamos negócio e comprei o Loro José por R$ 1900,00, ainda sobraria uma grana para dar uns retoques. Como a pintura estava muito ruim, foi a primeira coisa que resolvi mexer, nisso o besourinho foi todo desmontado e ganhou vários presentes, como os 4 paralamas, 2 parachoques, capô, tampa traseira, todas as borrachas, faróis e lanternas, e por aí vai. Mas o olho gordo humano é uma merda. Uma semana depois que tinha pego o Fusca na lanternagem, estava levando o carro pra colocar o interior quando um infeliz parou numa faixa de pedestre sem uma viva alma atravessando, com o asfalto molhado, já viu o resultado, senti ainda mais raiva de não ter aquele jogo de pneus que preste no Fusca, lá vou eu ter que refazer a pintura do capô e do parachoque. Essa foi apenas a primeira situação dentre outras tantas, que me levaram a vender o Loro José, mas prometi para mim mesmo que assim que tivesse condições de ter um outro carro e um fusca eu iria comprar outro besourinho.

Bem, já me estendi demais, mas se você chegou até aqui e sem dormir no meio do caminho, volte sempre que quiser, mas se você chegou até aqui dando um "end" pra chegar logo no final da página, fique a vontade para voltar outras vezes também, prometo não me estender tanto.